quinta-feira, 20 de abril de 2017

Fantasma e Assombração

E quando te vi depois de tantos meses...
Eu não podia falar,
não podia olhar,
nem chegar muito perto.
Me assustava ter que manter essa distância, a frieza de agir como se mal nos conhecessemos, mas me mantive longe pois sabia que tava errada, e desculpa se não pude controlar de te olhar sempre que podia só pra te ver falando com outros, tuas expressões e tua risada gostosa e larga.
Eu tinha que aproveitar aquele dia o máximo que eu pudesse, matar a saudade da tua gravura.
Hoje, eu só te vejo em reflexos por outros, por outros meios que não eram mais os meus... Mas que de nenhuma forma tirou a beleza dos teus olhos, da tua graça ou fez menos contagiante tua risada, mesmo que tivessem 100 pessoas na foto, era você que eu procurava e admirava.
O que me assombra agora, foi ver aquela casa sendo aberta, mexida pra alguma reforma, habitada por outros onde foi nosso refúgio. Onde a gente se encontrou uma na outra, onde conhecemos cada traço de sentimentos e cicatrizes uma da outra, era como um abrigo do mundo lá fora que não podia saber da gente.
Mas ai você se tornou quase que um fantasma, onde só te vejo por penumbras de outros sem realmente poder te ver; E a casa que me assombrava todos os dias me fazendo lembrar o que vivemos, o que fomos e o que nunca pudemos ser...
Tudo está se desfazendo, a fantasma e assombração se desfazendo aos poucos, sumindo de vista.
Tchau e obrigada pela visita.

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