terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Abismo

Em uma corda bamba feita de teia de aranha dentro de mim...
Pra lá e pra cá
Confusa entre caminhos,
- Meu medo é meu abismo e ainda tenho que andar por ele todos os dias..
- Vai, só não olha pra baixo
Se olhar e temer a profundidade
Aquela escuridão te domina
Te engole como presa fácil
E suga tudo o que te faz viva

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Acastanhados

Fiquei sem falar nada, apenas olhando aquele poço escuro acastanhado, como só teus olhos sabiam ser, tentando desvendar algo, sem êxito algum.
Eles não se focavam mais com clareza aos meus, me fitavam de volta como o desconhecido, pedindo algo em troca, uma resposta dos acontecimentos nos meus olhos que os procuravam tanto.
Eles se perderam procurando o que eu não consegui responder, não queria acreditar.
Algo dentro mudou, eu percebi no momento que a luz se apagou pros olhos que se fitavam.

Seus belos castanhos mudaram de tom e se esvaziaram na escuridão, aquele aperto no peito, um peso que tomou conta do meu corpo e desabou ao ver que aqueles foram seus últimos momentos de luz.

Mayê GueDan

Estações

És inverno com esse olhar frio
Me enfraquecendo pouco a pouco
Sem poder me alimentar na frieza dos gestos
Vou perdendo meu Norte.

Já eu, sou feita de algo mais quente
Feita por uma pulsação mais forte
Que grita por algo maior
E mais intenso.

Sou o verão.
Você, o inverno.
Próximas, mas opostas.

Mayê Guedan